terça-feira, 19 de julho de 2011

Educação Física Adaptada

Introdução
1) Conceito de educação especial (PNEE – pessoas com necessidades educativas especiais/ PPD – pessoas portadoras de deficiência);
2) Conceito de Educação Física Adaptada (EFA);
3) Conceito de esporte adaptado.

            Objetivos da Educação Física Adaptada (EFA)
            Iluminismo (séc. XVIII) – Rousseau deu a possibilidade da PPD se inserir na sociedade. Mais tarde, vários outros filósofos estudaram recursos, métodos e adaptações para a educação desse grupo.
            Esporte adaptado – surgiu na 2ª Guerra Mundial. Os militares que sofreram acidentes na guerra inventaram brincadeiras e jogos no hospital, enquanto pegavam sol, de cadeira de rodas etc. E foi percebido que eles tinham prazer e, informalmente, aumentavam sua auto-estima. E assim o esporte adaptado foi formalizado. O primeiro esporte foi o basquete de cadeira de rodas. Por volta de 1980, a Ed. Física entrou em crise e surgiu a Carta Internacional da Educação Física (CIEF), para haver mudanças no currículo da Educação Física e adaptar os esportes para os PPD. A Educação Física mudou, porque a demanda era outra. Culminou na divisão Licenciatura/ Bacharelado.
            Ano Internacional da pessoa deficiente (AIPD): 1980.
            Educação especial – sua finalidade é oferecer atendimento especializado aos educandos portadores de deficiência e altas habilidades, respeitando-se as necessidades e diferenças de cada criança, com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento global desses alunos, em seus aspectos cognitivo, afetivo, psicomotor, lingüístico e social, tornando possível não só o reconhecimento de suas potencialidades, como sua integração/ inclusão à sociedade.
            “A Educação Física para essas crianças deveria se basear na organização especial de suas funções e em suas características mais positivas, ao invés de se basear em seus aspectos mais deficitários”.(Vygotsky, 1987)
            Quando foi pensado em múltiplas inteligências, a Ed Física deu “o pulo do gato”. Passou-se a não priorizar o Q.I. do aluno.
           
            Autismo – deficiências mentais severas – atraso intelectual cognitivo. A escola excluía esses alunos. Mas existem escolas que vêem esses alunos pela sua singularidade.
            A avaliação deve ser feita pelo potencial do aluno, e não o professor perceber o que o aluno não tem.
           
            Conceito de esporte adaptado
            É uma prática esportiva adaptada às potencialidades e limitações da PPD e/ou com NEP. Consiste em adaptar e modificar suas estruturas e técnicas educacionais, permitindo assim a participação desses indivíduos às diversas modalidades esportivas Por deficiência (esporte adaptado) – ex.: ABDEM; por deficiências mentais ou por modalidade (esportes convencionais). E todos estão subordinados ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), que está subordinado ao Comitê Paraolímpico Internacional (CPI).

            Adaptações educacionais
1) Modificação nas regras dos esportes, adaptando-as a cada tipo e grau de deficiência;
2) Técnicas de treinamento apropriadas e individualizadas de acordo com as características de cada deficiente;
3) Adequação do esporte de acordo com a faixa etária, fase de desenvolvimento motor, cognitivo etc.
4) Condições sócio-econômicas e sociais.

            Adaptações estruturais
1) Espaço físico que facilite o acesso às dependências esportivas;
2) Material apropriado e/ou adaptado a cada tipo de deficiência e às modalidades esportivas.

            Carta Internacional de EFD (Conferência da Unesco 21/11/78):
            Esporte – performance objetivando rendimento, numa estrutura formal e institucionalizada; esporte – participação visando o bem – estar para todas as pessoas, praticada voluntariamente e com conexões com os movimentos de educação permanente e com a saúde; esporte – educação com objetivos claros de formação, norteadas por princípios sócio-educativos, preparando os praticantes para a cidadania e para o lazer.

            Fundamentação filosófica da educação especial:
1) Declaração Universal dos Direitos Humanos;
2) Convenção sobre os direitos da criança;
3) Declaração de Salamanca (regras-padrão sobre a equalização de oportunidades para o PPD).

            Princípios filosóficos da educação especial que fundamentam a EFA:
1) Da normalização: oferecer à PNEE as mesmas condições e oportunidades sociais, educativas e profissionais que outras pessoas;
2) Da integração/ inclusão: igualdade; participação ativa; respeito a direitos socialmente estabelecidos;
3) Da individualidade (avaliação diagnóstica/ planejamento): adequação de atendimento educacional a cad PNEE, respeitando seu ritmo e características individuais;
4) Sociológico da interdependência: educação – saúde – ação social e trabalho;
5) É denominado epistemológico (“episte” = conhecimento) da construção do real (aplicar conhecimento a partir da realidade);
6) Princípio da efetividade dos modelos educacionais (inclusão);
7) Legitimidade (leis vigentes referentes à PNEE, tanto  nacionais quanto internacionais).

            Indicadores para viabilizar o paradigma da inclusão:
1) Formação de recursos humanos;
2) Acessibilidade;
3) Avaliação diagnóstica;
4) Legislação referente à PNEE.

            Educação inclusiva – é o conjunto de princípios e procedimentos implementados pelo sistema de ensino para adequar a realidade das escolas à realidade do aluno que, por sua vez, deve representar toda a diversidade humana. A inclusão, como processo social amplo, vem acontecendo em todo o mundo, fato que vem se efetivando a partir da década de 50. A inclusão é a modificação da sociedade como pré-requisito para que a PNEE possa buscar seu desenvolvimento e exercer sua cidadania.
            (Sassaki, 1997) Segundo o autor, a inclusão é um processo amplo, com transformação nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive da própria PNEE. Para promover uma sociedade que aceite e valorize as diferenças individuais, aprenda a conviver dentro da diversidade humana, através da compreensão e da cooperação.
            Declaração de Salamanca, em função da inclusão (1994): “Proporcionou uma única oportunidade da educação especial dentro da estrutura de educação para todos”. Firmada em 1990. (...) Ela promoveu uma plataforma que afirma o princípio e a discussão da prática de garantia de inclusão das PNEE nessas iniciativas e a tomada de seus lugares de direito numa sociedade de aprendizagem.

            Formação de recursos humanos (papel social):
            - Universidade (responsável pelo desenvolvimento e difusão do conhecimento teórico/ prático/ científico para atender as demandas de uma sociedade);
            a) graduação;
            b) extensão (associam teoria/ prática);
            c) pós-graduação (especialização ou mestrado, doutorado, pós-doutorado).
            Avanços da EFA no Brasil – em 1987: parecer do MEC sugerindo a inclusão de uma disciplina, cujo conteúdo aborde a questão da PNEE no currículo dos cursos de graduação em Ed. Física; fins da década de 80 – cursos de especialização; década de 90 – cursos mestrado e doutorado; curso de EFA à distância; criação da SOBAMA (Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada): é uma sociedade civil de caráter científico e educacional sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria que visa o progresso dos estudos da atividade motora adaptada em todas as suas áreas. Objetivos: congregar estudiosos da área de atividade motora adaptada; apoiar e incentivar o desenvolvimento técnico e científico de seus associados; promover congressos, cursos, simpósios sobre assuntos rela cionados à área; manter intercâmbios culturais, técnicos, científicos etc.
            Metas e estratégias de ações políticas pedagógicas para inclusão da PNEE nas aulas de Ed. Física:
            - Em curto prazo:
            a) Realizar seminário nacional com dirigentes da Educação Especial e um técnico da área de Ed. Física que estará responsável pela Ed. Física dentro das Secretarias de Educação Municipal, Estadual e Distrital. Estratégia: promover o envolvimento de dirigentes;
            b) Capacitar professores de Ed. Física com uma abordagem inclusivista. Estratégia: realizar cursos regionalizados, visando a formação de multiplicadores;
            c) Estimular a adaptação arquitetônica das edificações escolares e instalações destinadas às aulas de Ed. Física. Estratégia: criar parcerias; intensificar campanhas de sensibilização para as adaptações arquitetônicas nos cursos de engenharia e arquitetura;
            d) sensibilizar profissionais, família e comunidade acerca do processo de inclusão escolar. Estratégia: produzir material áudio-visual (vídeo, CD’s etc.); efetuar campanha institucional de Ed. Física na escola inclusiva através de meios de comunicação e teleconferência; edição da revista integração entre as escolas regulares e as escolas especiais. Estratégia: estimular a troca de experiências entre os profissionais visando o atendimento do aluno com necessidade especial no ensino regular; promover, de forma conjunta, eventos culturais e esportivos.
            e) gerar material instrucional adaptado às aulas de Ed. Física. Estratégia: criar concurso a nível nacional na área de EFA; publicar texto contendo fundamentação, sugestões e estratégias para trabalhar com alunos com necessidades especiais.
            - Em médio prazo:
            a) identificar experiências da EFA. Estratégia: diagnosticar em nível nacional os projetos implementados de Ed. Física em uma perspectiva inclusivista;
            b) Fomentar a pesquisa na área de EFA com uma visão inclusivista. Estratégia: estimular interface com órgãos fomentadores para viabilizar o desenvolvimento de pesquisa na área.

            Deficiência mental
            - OMS – só leva em consideração o Q.I. (cognição)
            - AADM (Associação Americana de Doença Mental) – é global (não só Q.I.)
            Deficiência mental – idade cronológica ≠ idade mental: dificuldade de cognição e de elaborar pensamento abstrato (observação de Piaget); ligado ao aspecto psicomotor (Wallon); interação social (Vygotsky).
            Deficiente mental (DM) – indivíduo que apresenta dificuldades de aprendizagem, defasagem cognitiva, ou seja, idade cronológica não condiz com a idade mental. O diagnóstico e a classificação dos mesmos são realizados a partir de avaliações através de uma equipe multidisciplinar (40% podem ser evitados).
            As encefalopatias geralmente são doenças localizadas no cérebro, constituem um conjunto de quadros clínicos com variada sintomatologia ou mental que apresentam em comum, dentre outros, o fato de afetarem o SNC.
            As causas da DM residem no mau funcionamento orgânico do cérebro, ora por compressão dos hemisférios, ora por fluxo irregular de oxigênio, que ocasiona uma hipoxia local, podendo vir a lesionar determinado setor do cérebro. DM é o produto da sociedade, criado em maior parte por: subnutrição, doenças venéreas, falta de pré-natal, alcoolismo, drogas etc.
            OMS – classificação de DM (excepcionais infradotados):
Classif. moderna      Classif. educacional       Q.I.                              idade mental (aprox.)
Profunda                   dependente                    24                                até 2,5
Severa                       dependente                    25/ 49                         3/ 3,5
Moderada                  treinável                        50/ 66                         4/ 7
Leve                           educável                         67/ 84                          7/ 12
Deve-se adequar a atividade física à idade mental de cada caso.

            Síndrome de Down Mosaico é mais branda; o indivíduo mescla cél. 47 pares com 46 pares.
            A deficiência mental caracteriza-se por registrar um funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitantemente com limitações associadas a duas ou mais áreas de conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade nos aspectos:
            1) comunicação;
            2) cuidados pessoais;
            3) habilidades sociais;
            4) desempenho na família e comunidade;
            5) independência na locomoção, saúde e segurança;
            6) desempenho escolar, lazer e trabalho.
            Na DM observa-se uma substancial limitação na capacidade de aprendizagem e das habilidades relativas à vida diária. O deficiente mental caracteriza-se por um déficit de inteligência conceitual, prática e social.
1) Inteligência prática – habilidade de se manter e de se sustentar como    uma pessoa independente nas atividades da vida diária (AVD).
Habilidade sensório-motora, autocuidado e segurança, desempenho na comunidade, na vida acadêmica, no trabalho, no lazer e autonomia.
2) Inteligência social – refere-se às capacidades fundamentais da inteligência envolvendo suas dimensões abstratas.

Devemos levar em consideração os seguintes aspectos para a identificação da DM (enfoque multidimensional):
1) A própria existência da deficiência;
2) A intensidade da manifestação física, psicológica, emocional e da condição de saúde do DM;
3) A capacidade funcional para a vida cotidiana no lar, na escola, no trabalho e na comunidade;
4) O contexto ambiental em que opera e as formas, quantidade e duração do apoio indicado, de modo a facilitar-lhe a independência, além de sua integração comunitária.

            - Classificação educacional voltada para DM (fundamentado na OMS):
            1) treinável – adquirem hábitos higiênicos na AVD, realizam pequenos trabalhos caseiros, quando adultos atingem idade mental entre 3 e 7 anos, apresentam descoordenação motora, lentidão na aprendizagem e na fala. São encaminhados para escoas especiais ou classes especiais em escolas comuns desde que tenham possibilidade de integração social e controle esfincteriano.
            - Objetivos do ensino: desenvolvimento das suas potencialidades no que se refere aos aspectos afetivo-social, psicomotor, cognitivo, bem como a criatividade, autonomia, iniciação à prática esportiva e iniciação profissional.
            Síndrome – conjunto de sintomas; nos deficientes mentais são todos de origem neurocromossomiais (na fecundação do óvulo).
            Síndrome de Down – tipos: síndrome de Rett, síndrome de Williams, hipotiroidismo congênito, fenilcetonúria, autismo (70% apresentam deficiência cognitiva), encefalopatias crônicas da infância, (larga categoria, diminuição de VO2 cerebral, doenças...). A síndrome de Down foi descoberta por Langdon Down em 1886, antigamente mongolismo. Nome mais usado: Trissomia 21. Tipos de cariótipos: Trissomia simples, Trissomia por translocação, Mosaico.
Características anátomo-fisiológicas (Down):
a) Boca – dentes pequenos e macroglossia;
b) Mãos – forma grossa e curta, dedo mínimo arqueado;
c) Músculos – hipotonia (90%);
                        d) Articulações – hiperelasticidade articular (80%) - Não trabalhar com alongamentos;
e) Crânio – microcefalia, podendo haver atraso no fechamento das fontanelas;
f) Pés – apresentam afastamento do 1º dedo;
Possuem digestão lenta.
g) Aparelho cardiovascular – cardiopatia (48%);
h) Aparelho respiratório – pré-disposição a infecções;
i) Olhos - prega epicantal e olhos oblíquos (100%);
j) Instabilidade atlanto-axial (80%) – o afastamento normal das vértebras é de 1mm, e eles têm 3mm (evitar rolamentos, cambalhotas...);
k) Instabilidade coxo-femoral;
l) Visão – apresentam estrabismo;
m) Sensibilidade – tato pouco desenvolvido;
n) Distúrbio glandular – obesidade (mau funcionamento da tireóide);
o) Membros relativamente curtos, nanismo;
p) Cataratas.
            A hipotonia muscular é a característica mais comum, pelo atraso no desenvolvimento motor.
            Paresia – resquício de movimento.
            Quadro comparativo do desenvolvimento motor em crianças com Down e normais:
Habilidades                      criança normal                 criança com Down
Sentar                                6 meses                            9 meses
Ficar em pé                        11 meses                          18 meses
Andar                                 12 meses                          19 meses

            Características da motricidade: pouca força muscular; dificuldade na coordenação motora; lenta mielinização das fibras nervosas; reflexos lentos; dificuldade de memória (área de Wernick); pouco tempo de concentração.
            Down tem equilíbrio comprometido.
           
            Síndrome de Rett – origem: mutação de um gene local no cromossomo x; os sintomas começam a aparecer entre os 7 e 24 meses, afeta só meninas causando progressivo comprometimento das funções motoras intelectuais. Principais características: deficiência mental progressiva (80% da perda da capacidade intelectual); deficiências mentais severas; em 2/3 dos casos apresentam deficiências físicas; as aquisições motoras são lentas; perda progressiva da comunicação; dificuldade de crescimento e lento crescimento da cabeça.
1) Monoplegia (mono: impedimento motor em um membro);
2) Hemiplegia (um lado do corpo; também existe hemiparesia);
3) Diplegia (membros superiores);
4) Paraplegia (membros inferiores);
5) Tetraplegia/ quadriplegia (quatro membros);
6) Crises convulsivas;
7) Hipertonia muscular;
8) Estereotipias (movimentos repetitivos);
9) Escoliose.
            Portadores de Rett podem ser confundidos com portadores de paralisia cerebral (PC).

            Síndrome de Williams – a incidência de nascimentos dessa síndrome é de 1 : 20.000, foi descoberta pelo Dr. J. C. P. Williams (1961). É uma síndrome geneticamente determinada por alteração do cromossomo nº 7 (responsável pela produção de elastina).
            Elastina – proteína responsável pelo fornecimento de força e elasticidade das paredes das artérias.
            Características do Williams – microcefalia (o que leva à incapacitação da condição intelectual); hipercalemia (nível de Ca++ no sangue maior que o normal, acarretando diminuição dos reflexos bem como enfraquecimento muscular). Características faciais típicas – inchaço em torno dos olhos; nariz achatado e pequeno; lábios proeminentes; queixo pequeno. Estrutura típica do corpo – baixa estatura; ombros pequenos e inclinados para frente; garganta alongada.      Características cardíacas – estreitamento supravalvular da aorta (artéria responsável por receber todo o sangue proveniente do VE e redistribuí-lo para as demais artérias que irrigam o corpo e tendência a aumentar a PA. Outras características – tônus muscular baixo (hipotonia); baixa imunidade; hipera cuosidade (aumento da sensibilidade auditiva); fala eloqüente e rouca).
Fenilcetonúria (acúmulo de fenilalanina) – estudos apontam que é de origem genética-hereditária, dados indicam que uma em cada 60 pessoas apresenta o gene para a doença; existe 25% de probabilidade de cada filho da mesma mãe apresentá-la. A fenilcetonúria só pode ser diagnosticada após a realização do teste do pezinho, ela não permite que o organismo da criança metabolize o aminoácido fenilalanina, portanto o acúmulo da mesma no sangue provoca lesões nas células do SNC (irreversível). Principais características – a DM instala-se até o 3º mês e o grau da deficiência irá depender da quantidade de fenilalanina ingerida pela criança. Existe uma perda de aproximadamente 20 a 30% da inteligência; a criança apresenta dificuldade na fala, problemas motores, pele sensível com tendência a eczemas, sinais de irritação, dificuldade de relacionamento.
            O teste do pezinho deve ser realizado, de acordo com a Lei Federal 8069 do Estatuto da Criança e do Adolescente desde 13/07/90.
            Hipotiroidismo congênito – tireóide – tiroxina (falta de) – é de origem hereditária, consiste na ausência ou mau funcionamento da glândula tireóide que secreta o hormônio tironina. Um em cada 3.500 bebês vivos apresenta o hipotiroidismo congênito. Efeitos da tiroxina no metabolismo corporal. Metabolismo são as reações químicas que ocorrem no interior das células que compõem os tecidos.
1) Atua sobre as células para acelerar as reações metabólicas;
2) Controla a intensidade do metabolismo de todas as células;
3) Fornece energia para a realização das atividades corporais;
4) Atua no crescimento corporal (estimula liberação do GH);
5) Acelera a queima de carboidratos, portanto, as reservas de gordura;
6) A falta da tiroxina diminui o metabolismo até a metade do normal;
7) Falta: no SN diminuem os reflexos, provoca sonolência;
8) Falta: no sistema cardiovascular diminui a FC e a força de contração. Principais características: influencia o desenvolvimento físico, causa a DM, atraso na fala, nanismo.

            Autismo – não-vinculação com o meio externo; estereotipia; 70% possuem atraso cognitivo; 30% são crianças com cognição normal (síndrome de Asperger). Foi descrito pela primeira vez por Leo Kanner em 1943; manifesta-se antes dos 3 anos; a cada 4, 3 são meninos; não existe apenas uma causa para o autismo.
            Principais hipóteses para as causas:
            a) de origem genética – irmãos de autistas tem 25% de possibilidade de apresentar a síndrome. Entre irmãos gêmeos, as possibilidades são 375 vezes maiores;
            b) intoxicação química e ambiental;
            c) doenças infecciosas;
            d)pré-natais: herpes, caxumba, rubéola, sífilis.

            Sinais que revelam o autismo:
            a) 1º ano: não olham para o rosto da mãe; não expressam emoções na presença das pessoas; tem aversão ao toque; não estabelecem comunicação com as pessoas; não entendem quando são chamados;
            b) a partir do 2º ano: tem interesse mais por objetos do que por pessoas; repetem por horas a mesma brincadeira e gestos, como mexer as mãos; apresentam dificuldade para fixar o olhar.
            Obs.: 70% apresentam D.M. Pesquisas apontam a existência de uma memória que apresenta boa capacidade de comunicação e inteligência, os mesmos foram classificados como portadores da síndrome de Asperger.
           
            Encefalopatia crônica da infância
            Também denominada paralisia cerebral (PC).
            PC espástico (categoria da D.M.): 50% dos casos de nascimento – lesão na área do córtex motor; PC atetóide - ¼ dos casos de nascimento – lesões nos gânglios da base; PC atáxico - ¼ dos casos – lesões no cerebelo.
            Organização esportiva para portadores de DM - nível internacional:
      - 1962 – EUA – Olimpíadas especiais – Fundação Kennedy;
            - 1986 – Holanda – Federação Internacional de Desporto para PDM (INAS-FMH). Obs.: esta entidade e filiada ao Comitê Paraolímpico Internacional (IPC);
      - 1992 – Madrid – 1a olimpiada oficial para PDM. Participaram 70 paises e 2000 atletas nas seguintes modalidades esportivas: tênis de mesa, basquete, futebol de salão, natação, atletismo.
            Nível nacional:
  • 1962 – Federação Nacional das APAEs (FENAPES);
  • 1975 – Associação Nacional de Desporto para o Excepcional (ANDE);
  • 1989 – Associação Brasileira de Desporto de Deficiente Mental (ABDEM);
  • ARDEM – Associação Regional de Desporto de DM;
  • 1990 – Associação das Olimpíadas Especiais do Brasil – gerenciada pela Special Olympics International.
            Modalidades esportivas para o DM: natação, atletismo (provas de campo e pista), futsal, ginástica de solo, vôlei e vôlei especial, tênis de mesa etc.
            Obs.: as organizações internacionais e nacionais estão estabelecidas por grau de deficiência com características semelhantes, e não por modalidades esportivas (grande diferença do esporte paraolímpico).
            Vôlei especial – criado em 1982 para atletas avaliados como DM mal-coordenados. Obs.: as modificações nas modalidades e adaptações nas modalidades desportivas para o DM atendem as especificações do ABDEM, levando-se em conta o grau e as seqü elas motoras de cada tipo de DM.
            Regulamento das Olimpíadas Especiais
  1. Poderão participar dos jogos atletas com DM comprovada;
  2. os atletas serão divididos por níveis de habilidades e índices:
a) grupos de performance – atletas com melhores índices técnicos;
b) grupo participação – atletas que apresentam menor habilidade;
  1. cada atleta poderá participar de uma modalidade coletiva e três individuais;
  2. nas modalidades individuais somente poderão participar atletas com a idade mínima de 10 anos
  3. haverá aferição de índices nas modalidades natação e atletismo (corrida). O atleta que participar das provas de performance não poderá participar da s provas de participação;
  4. algumas adaptações nas provas de natação – grupo de participação: a) 25m assistido; b) 25m com prancha; c) 4 x 25m nado livre;
  5. atletismo – grupo participação: a) 25m – caminhada assistida; b) 25m com cadeira de rodas; c) 50m – corrida; d) prova de campo – lançamento de pelota;
  6. futsal;
  7. ginástica de solo. A serie de ginástica de solo e composta por: rolamento pra frente, pra trás, avião, vela;
  8. GRD – só fita e arco;
  9. vôlei;
  10. tênis de mesa: a bola pode quicar duas vezes no próprio campo. Obs.: as regras, as normas e as adaptações nas provas das Olimpíadas Especiais sejam elas a nível municipal, estadual, nacional ou internacional estão sujeitas a mudanças, de acordo com as normas das instituições responsáveis.

            Elaboração de atividades motoras e esportivas voltada para pessoas com diversos tipos de deficiência
            Planejamento - são as etapas de um programa a ser desenvolvido. E utilizado em varias áreas e atuações do profissional de Educação Física. O planejamento engloba os seguintes princípios epistemológicos:
            a) objetivo (s) geral (is);
            b) conteúdos programáticos selecionados (conteúdos específicos). Esses conteúdos são selecionados no plan o de aula do professor. O somatório dos planos de aula e o planejamento. O plano de aula terá a cada dia os objetivos específicos;
            c) recursos humanos e materiais;
            d) metodologia – reforçar o trabalho concreto;
            e) avaliação. Existem três modalidades de avaliação: 1) avaliação diagnostica – permite que o professor trace o perfil do seu aluno; 2) avaliação formativa – permite acompanhar a evolução e desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem; 3) avaliação somativa – realizada ao final de um curso (não há acompanhamento); 4) reavaliação.
Sugestões de indicadores para a elaboração de um instrumento de avaliação direcionado a pessoas com deficiência.
            Um instrumento de avaliação deve englobar os seguintes itens:
  1. critério de avaliação – é o grau aferido pelo aluno. Os critérios sugeridos são: ED (em desenvolvimento), ND (não desenvolvido), D (desenvolvido).
  2. dados a serem preenchidos pelos responsáveis: nome do aluno (a), filiação, data de nascimento, endereço, telefone, nome e telefone do medico, plano de saúde (se tiver), medicamento (se houver utilização), convulsão (se apresenta), se pratica outra atividade esportiva, há quanto tempo (anexar laudo medico detalhando a deficiência).
  3. anexar atestado medico liberando para a pratica esportiva;
  4. caso seja portador de Down, é necessário anexar o laudo da coluna cervical, para atestar a ausência da instabilidade atlanto-axial.
  5. no verso, complemente com outras informações que considere necessárias para que possamos atender adequadamente seu filho (a).

Dados a serem preenchidos pelo professor:
  1. validade do atendimento medico;
  2. o aluno apresenta dificuldades motoras? Quais?;
  3. apresenta dificuldades cognitivas? - grau da deficiência (OMS);
  4. apresenta dificuldades sensoriais? Quais?;
  5. aspectos psicomotores – ao selecionarmos os aspectos psicomotores, devemos sempre levar em consideração o conhecimento do desenvolvimento motor do aluno, e a modalidade esportiva que será desenvolvida. Devemos considerar t ambém, desde as habilidades motoras básicas ou fundamentais ate as habilidades culturalmente adquiridas (os fundamentos básicos de cada modalidade). Ex: natação – adaptação ao meio líquido, descontração faci al, inversão e apnéia, propulsão em decúbito dorsal (boiar) e ventral com ou sem auxílio, domínio da respiração lateral, do crawl, costas, peito, golfinho; futebol: manejo de bola; judô: equilíbrio etc. Outros aspectos (avaliação mesclada): equilíbrio, coordenação oculomanual, ritmo, noção espaçotemporal, manejo de bola, drible de basquete, passe picado de ombro;
  6. aspectos cognitivos: compreender, entender as atividades propostas, as regras do jogo, elaborar atividades novas, memória;
  7. aspectos afetivo-sociais: interação com o professor, com o grupo... Obs.: acontecimentos atípicos levados a ciência do pai/ responsável.
Elaboração do instrumento de avaliação (em dupla)
Sugestões para elaboração de atividades motoras e esportivas para PDM. Objetivos gerais:
a) desenvolvimento físico e aquisição de destrezas manipulativas sensoriomotoras, de agilidade e iniciação esportiva (psicomotor);
b) desenvolvimento das estruturas mentais que irão, assim, conduzir a lógica dos pensamentos (cognitivo);
c) desenvolvimento das capacidades de compreensão e expressão que favorecem a comunicação (cognitivo, afetivo, social, motor);
d) ganho de uma afetividade integrada como conseqüência do desenvolvimento de um controle emocional que a capacite para uma adaptação positiva com a realidade (afetivo-social);
e) superação das deficiências que provocam e mantêm o individuo em um desequilíbrio funcional de sua personalidade (afetivo-social);
f) desenvolvimento de atitudes e condutas que facilitem a autonomia, independência e inclusão social (afetivo-social);
g) aquisição de conhecimento que o familiariza com a realidade natural e social que o rodeia, que são necessários para sua vida pratica diária (cognitiva, afetiva, social).
Sugestões de ordem metodológica – a metodologia de atividades motoras e esportivas para PD engloba os seguintes parâmetros:
a) nos impedimentos, nas limitações e nas deficiências;
b) nas suas condições emocionais;
c) motivação (e o esporte que o individuo mais gosta).

Deficiência – tipos (motor, mental, físico, sensorial), graus (leve, moderado...), seqüelas.
Cuidado ao apresentar para eles em uma atividade muitas informações ao mesmo tempo, pois eles tem dificuldade em processar.
Não se limite aos seus ensinamentos apenas nas habilidades motoras, jogos, atividades psicomotoras, modalidades esportivas, mas sempre que possível enfatize outros conhecimentos relacionados a cores, formas, tamanhos e sempre de forma mais concreta possível.
Prestar atenção se ele esta identificando os estímulos que são oferecidos e como ele responde. Esclareça sempre que perceber necessidade.
Atenção ao ambiente de aprendizagem: condições de higiene, cuidados físicos, segurança.
Use sempre a pratica mental simultânea a pratica real, como um procedimento de aprendizagem rico aos deficientes mentais.
Desenvolva procedimentos motivadores.
Estabeleça normas em qualquer atividade com eles.
Observe e procure compreender seus limites, suas características pessoais, pois cada pessoa e diferente e merece atenção e percepção de suas condições individuais.
Procure perceber se uma atividade foi compreendida antes de torná-la mais complexa (progressão pedagógica).
Esclarecer aos responsáveis as atividades em sua proposta de trabalho.
Estar consciente que um programa de Educação Física Adaptada necessita de controle, bem como registros das atividades desenvolvidas.
Sugestões das atividades:
  1. jogos sensoriais e jogo corporais, Objetivos: estimular o reconhecimento e a expressão do tato, da sinestesia, da visão e da audição através das atividades sensoriorreceptivas. Ex.: no centro de um circulo, de olhos fechados, reconhecer e apontar para os estímulos sonoros. Objetivo: identificação e memória auditiva. Descrever objetos e distancia; procurar em um ambiente varias categorias de objetos, selecionados e conhecidos anteriormente pelo grupo. Objetivo: conhecimento, memória, e experiência visual. Relacionar e registrar cores e objetos dentro de uma sala.
  2. Objetivo: discriminação tátil e organização de formas. Ex.: pedir ao aluno que toque vários objetos de texturas diferentes para reconhecer sua superfície.
  3. Objetivo: discriminação visual e tátil, organização espacial, reconhecimento de cores e figuras. Ex.: enfileirar objetos de cores iguais (o aluno desloca-se entre os objetos).
  4. Objetivo: conceitos de imagem e organização do corpo. Ex.: jogo que use lateralidade (levantar o braço, perna a frente...).
  5. Objetivo: equilíbrio, ritmo e lateralidade. Ex.: andar em zigue-zague entre cones; andar encima da linha.
Deficiente físico (DF) – paralisia cerebral (PC), encefalopatia crônica da infância. Função do SNC – motora, integradora (reconhecimento), sensorial: motora – conduz sinais neurais com origem nas áreas centrais do SN para os músculos e glândulas; integradora – analisa a informação sensorial, a armazena na memória, inclui também os processos de pensamento; sensorial – transmite sinais das terminações periféricas para a medula espinhal, tronco cerebral, cerebelo e córtex motor.
Divisão do SNC:
a) principais funções do encéfalo – armazenar a memória, elaborar os pensamentos, gerar as emoções e complexo controle motor do corpo (córtex motor, gânglios basais e cerebelo);
b) principais funções da medula espinhal – condutor das vias nervosas, área integradora para a coordenação de atividades neurais subconscientes.
Sistema Nervoso Autônomo:
Controla as funções internas do corpo.
Funções do SN Simpático:
a) controle da perda do calor corporal;
b) controle da intensidade da sudorese;
c) controle da FC;
d) controle da PA;
e) inibição das secreções e dos movimentos gastrintestinais;
f) aumento do metabolismo celular.
Os nervos periféricos simpáticos e nervos espinhais têm origem nos segmentos lombares da medula espinhal.

Sistema nervoso periférico:
E constituído por uma rede ramificada de nervos. Engloba dois tipos de fibras nervosas: fibras aferentes (respondem pela transmissão de informações sensoriais para a medula espinhal e encéfalo) e fibras eferentes (respondem pela transmissão de sinais originados no SNC de volta para a periferia, especialmente para os músculos esqueléticos).
Os nervos cranianos originam-se da parte basal do encéfalo e os nervos espinhais (sensorial) saem da medula por meio do forame intervertebral, a cada nível medular.
Conceito de deficiente físico – individuo que apresenta um impedimento motor, que pode ser de origem neurológica (PC, LRM, poliomielite...) ou ortopédica (amputação). Apresenta paresia (movimentos parciais ou resquício de movimento) e plegia (perda total de movimento).
PC – consiste na disfunção motora produzida por uma lesão no cérebro. Essa lesão, de acordo com o local do trauma, pode comprometer os movimentos de locomoção e manipulação, podendo ainda provocar alterações na fala, audição, visão, distúrbios intelectuais, alem de crises convulsivas. Apesar de haver um grande comprometimento, a Paralisia Cerebral não e progressiva.
Quando o individuo associa mais de um tipo de deficiência, ele e classificado como múltiplo deficiente.
Causas da PC: causas pré-natais (na formação do feto e falta de O2 no cérebro), causas pós-natais (afogamento e asfixia).
A paralisia se da quando ocorre uma lesão no córtex motor localizado no lobo frontal.
Tipos de paralisia cerebral (encefalopatia crônica da infância)
I) PC espástica (metade dos casos) – quando ocorre lesão no córtex motor (lobo frontal) dividido em: área motora primária e área pré-motora. A principal causa desse tip o de deficiência é a falta de O2 no cérebro. Obs.: esse tipo de PC, além de ser classificada como deficiência física, ele pode apresentar também deficiência mental, dificuldade na fala, visão e audição. Portanto, caso ele associe todas essas seqüelas, e denominado como múltiplo deficiente.
Principais características de uma pessoa com PC espástica: hipertonia muscular, dificuldade na coordenação motora fina, deficiência mental, alteraçõ es no equilíbrio postural, tem paresias/ plegias e suas combinações, área de broca (responde pela fala) – uma lesão nessa área não impede a pessoa de vocalizar, mas torna impossível a pessoa dizer palavras inteiras. Essa área também é responsável pela função da respiração adequada, de modo que a ativação respiratória das cordas vocais possa ocorrer simultaneamente com os movimentos da boca e da língua durante a fala; acima da área de broca há uma estrutura responsável pelo controle dos movimentos oculares, uma lesão nessa área impede a pessoa de mover os olhos voluntariamente em direção a diferentes objetos.
Controle da atividade muscular pelo córtex motor, gânglios basais e cerebelo: controlam as atividades motoras mais complexas.
Córtex motor – a parte posterior dessa área motora é denominada córtex motor primário; a parte anterior é chamada de córtex pré-motor. Funções do córtex motor primário: controla os músculos individuais ou grupos de músculos intimamente associados – pequenos músculos das mãos, dos dedos, da boca; desempenha o papel principal de controle dos movimentos precisos e delicados (finos). Função do córtex pré-motor: * controla a contração coordenada de grupos musculares; principais conseqüências de uma lesão no córtex cerebral: perda da capacidade funcional das mãos e dedos; perda funcional das partes distais dos braços; influenciam nos movimentos do tronco, pernas e ombros. Obs.: os músculos das partes inferiores do corpo são controlados pelo córtex situado próximo à linha media; os músculos das partes superiores do corpo são controlados pelo córtex mais lateral.
II) PC atetóide (¼ dos casos) – quando ocorre lesão nos neurônios periféricos – gânglios basais (hemisférios cerebrais). Tem flutuação involuntária do tônus muscular (atetose). A PC at etóide provoca o aumento dos movimentos involuntários. Gânglios basais – localizados na profundidade dos hemisférios cerebrais. são formados por numerosos grupamentos neuronais organizados para o controle de movimentos semi-voluntários complexos (andar, fazer voltas, correr). Principais gânglios basais: núcleo caudado, putame, globo pálido, núcleo subtalâmico, núcleos mesencefálicos (substancia negra – núcleo vermelho – gânglios basais que controlam a maior parte dos movimentos corporais estereotipados e subconscientes). Núcleo caudado – controla os movimentos intencionais grosseiros do corpo, os conscientes e os subconscientes; participa no controle global dos movimentos corporais. Obs.: a destruição da maior parte do núcleo caudado quase que paralisa totalmente a metade oposta do corpo, exceto por alguns movimentos reflexos estereotipados, integrados a nível da medula espinhal e tronco cerebral. Putame – funciona em conjunto com o núcleo caudado no controle dos movimentos intencionais grosseiros; funcionam em cooperação com o córtex motor para controlar muitos outros padrões de movimento (movimentos refinados esportivos) como os padrões utilizados em atividades atléticas, de maior complexibilidade e que exigem muita habilidade. Globo pálido – controla o posicionamento do fundo das grandes partes do corpo; a lesão no globo pálido acarreta a atetose (ora hipertônico, ora hipotônico). E caracterizada por movimentos lentos e contorcidos. Núcleo subtalâmico – os processos de marcha; movimentos corporais r tmicos grosseiros. Obs.: muitas funções dos gânglios da base são supridas pelo córtex motor. Principais características dos indivíduos com PC atetóide: flutuação de tônus muscular, movimentos lentos, espasmos musculares devido a flutuação de tônus, movimentos involuntários, falta de equilíbrio, falta/ dificuldade na coordenação motora ampla e nos movimentos mais complexos (toque, arremessos etc.).
  1. PC atáxico (¼ dos casos) – cerebelo – responsável pela propriocepção (e ligada a vivencia corporal) e função preditiva (capacidade de predizer a posição das diversas partes do corpo) e equilíbrio. Ocorre lesões nos neurônios cerebelares, as ataxias também podem ser produzidas por lesões no labirinto. Hipotonia em todo o corpo. Cerebelo – localiza-se por trás do tronco cerebral. Funciona em associação com todas as outras áreas do SNC, inclusive com o córtex motor, gânglios basais e medula espinhal. Principais funções do cerebelo – coordenar principalmente as contrações musculares seqüenciais (corrida, tocar piano...), faz com que os movimentos ocorram de forma fluida e regular, faz com que os grupos musculares atuem em grupo de maneira coordenada, de modo a permitir graus muito delicados do controle motor, atua como adjutor para os gânglios basais e córtex motor, * atua como um mecanismo de feedback no controle dos movimentos musculares iniciais pelo córtex motor e pelos gânglios basais, função de amortecimento (obs.: a falta da função amortecedora do cerebelo gera a ataxia), contração descoordenada dos diversos músculos, função preditiva, função de equilíbrio.

Amputação
Código básico da classificação esportiva dos amputados:
Classe A1 – dupla AK (above knees – duas pernas);
Classe A2 – simples AK (uma perna);
Classe A3 – dupla BK (below knees);
Classe A4 – simples BK;
Classe A5 – dupla AE (above elow);
Classe A6 – simples AE;
Classe A7 – dupla BE;
Classe A8 – simples BE;
Classe A9 – combinações de amputações de amputações de MMSS e MMII.
Esportes paraolímpico praticados por atletas amputados: natação, basquete em cadeira de rodas, futebol, atletismo, provas de pista e de campo, voleibol sentado, tênis de quadra, esgrima, tiro ao alvo, judô, iatismo, halterofilismo etc.
Lesão na medula espinhal (LRM) – traumatismo raquimedular-neurológico (encéfalo + medula = SNC) – pós-natal (sempre derivada de um traumatismo). E o comprometimento da medula espinhal por lesão traumática direta ou indireta.
Estrutura anatômica da coluna vertebral: e uma coluna canelada com 45 cm de comprimento e 1 cm de diâmetro; é composta por 4 seções: C1a C7, T1 a T12, L1 a L5, S1 a S5 (quem tem lesão entre C1 e C3 morre); e constituída pr 31 pares de nervos espinhais que provem da medula espinhal e saem do canal vertebral através de forames, são grossas raízes nervosas que formam o plexo braquial e o lombo sacral. Função: destinado a inervação dos MMSS e II.
Divisão das inervações: plexo cervical – C1 a C4; plexo braquial – C5 a T1; inicio da inervação abdominal – T6; completa inervação abdominal – T12 a L1; flexores e adutores do quadril – L12; músculo quadríceps – L3 a L4; tendões da perna – L4 a L5.
A medula não se regenera após ter sofrido uma lesão; as funções motoras e sensitivas permanecem comprometidas abaixo do nível da lesão; quanto mais aumenta a lesão, maior o comprometimento motor.
Estrutura funcional dos neurônios:
  1. corpo celular – e responsável pela nutrição das células;
  2. dendritos - são múltiplas ramificações que tem origem no corpo celular;
  3. axônios - são fibras nervosas. Cada neurônio possui 1 axônio. Eles são responsáveis pela transmissão de sinais neurais para as células seguintes (a nível de encéfalo, medula, músculos e glândulas das partes periféricas do corpo;
  4. terminais dos neurônios/ sinapses – é o encontro dos axônios. Existe na extremidade de cada ramificação uma terminação nervosa denominada “botões sinápticos”, localizados sobre a membrana dos dendritos ou do corpo celular de outro axônio. Esse ponto de encontro ou convergência entre o botão sináptico e a membrana neuronal e denominado sinapse. 

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