quinta-feira, 30 de junho de 2011

A importância da Educação Física Escolar considerando os fundamentos da psicomotricidade e da teoria do desenvolvimento das inteligências



A inteligência sensório-motora mostra a ação em si, a prática do gesto, que satisfaz o indivíduo apenas pelo êxito da ação praticada por si só e não leva em consideração o significado que o gesto carrega. A inteligência conceitual é gerada pela reflexão a partir do movimento, tornando a ação repleta de significados que não se limitam ao espaço e ao tempo, mas abrange a sua própria realidade. E o desenvolvimento dessa inteligência inicia-se com a motricidade e a percepção caminhando lado a lado, preparando o ser humano para enriquecê-los de significados e saber compreendê-los de formas variadas.
Na primeira infância, a Educação Física Escolar tem um papel importante a cumprir no que diz respeito a desenvolver uma inteligência que não abranja unicamente as próprias realidades do individuo, e sim, descentrar o pensamento da criança, convertendo seu egocentrismo em desenvolvimento do pensamento.
Esse desenvolvimento divide-se nas seguintes fases: pré-conceitual, pensamento intuitivo, operações concretas e inteligência reflexiva.
Na fase do pensamento simbólico (inicia-se com 1 a 2 anos e estende-se até aproximadamente 4 anos), deve-se trabalhar o jogo primitivo para exercitar a cognição e estimular percepções que vão além dos gestos e dos objetos que participam da atividade. Os esquemas simbólicos separam a ação da representação, e o emprego dos símbolos desenvolve na criança a compreensão dos signos, resultando na sua imitação (e é através da imitação que também é desenvolvida a linguagem). Mas, na tenra infância, esses signos não exprimem os significados do ego de uma criança, ao qual ela ainda está voltada. Levando em consideração que o indivíduo nessa fase tem um raciocínio pré-conceitual, o professor de Educação Física deve equilibrar-se entre a generalização de um determinado conceito e a individualidade de seus elementos para a sua assimilação sensório-motora.
Dos 4 aos 7 anos de idade, a criança tende a coordenar as representações dos objetos, porém ainda com uma inteligência pré-lógica, isto é, uma forma semi-simbólica de pensamento e tem relação com as características do raciocínio transductivo. Mas já podemos perceber seu progresso, sendo a intuição a transformar-se numa espécie de “lógica rudimentar”, sem a regulação de operações até esse momento; a regulação, quando ocorre - em virtude de seus próprios exageros numa percepção -, é intuitiva. Essa passagem da intuição para a operação pode ser analisada de forma qualitativa ou matemática: nessa fase ainda é observada a não-conservação do todo. Apesar de ainda ser intuição, é chamada de “intuição articulada”, pois houve progresso no desenvolvimento da inteligência: apesar de a descentração progressiva ainda possuir uma perspectiva egocêntrica e recair sobre configurações de conjunto, nesse caso, essa descentração é representativa (com limitações inerentes da faixa etária). Isso quer dizer que ainda não existe o pensamento em função da realidade como ela é e a forma como pode ser assimilada.
A operação começa a ser preparada no momento em que os pontos de vista da criança são enriquecidos, as intuições descentradas resultam em regulação (ocorrendo a reversibilidade, a composição transitiva e a associatividade), onde os pontos de vista coordenam a conservação.
Entre 7 e 8 anos, é perceptível na criança a coordenação entre tempo e duração, que antes existiam independentemente, e o espaço é então estruturado por operações qualitativas, porém ainda não podem ser considerados lógica formal de qualquer noção ou raciocínio.
Aos 11 e 12 anos, as operações concretas mudam de plano e passam a ser formais, que são expandidos na adolescência, onde a reflexão flutua no tempo e pode ocorrer fora do momento presente, de modo hipotético-dedutivo, que muitas vezes entra em conflito com suas vivências, seus conhecimentos. As operações formais consistem em implicações e em incompatibilidades, isto é, consiste em refletir as operações, e não são concretas.
Então, de acordo com a fase de desenvolvimento da inteligência (faixa etária), são esperadas determinadas respostas com soluções corretas. Nesse caso, era analisado o rendimento sem levar em consideração a criatividade das operações. Assim sendo, foram elaborados vários testes (de raciocínio, de compreensão, de conhecimentos etc.) que procuram avaliar os variados aspectos do pensamento, sabendo separá-los das correlações com resultados de estatística para determinar o nível mental de um indivíduo.

A Psicomotricidade é um ramo que estuda o indivíduo, seu corpo e o movimento do mesmo e as relações desse indivíduo-corpo com o mundo e consigo. Leva em conta não só o movimento propriamente dito em sua forma técnica mas também o significado atribuído a ele por meio da motivação, condições climáticas e o contexto histórico-cultural no qual o indivíduo está inserido, em meio a outros fatores. Um menino chutando uma bola pode ter significados completamente diferentes aos olhos da psicomotricidade dependendo de qual significado o menino quer imprimir ao movimento, mesmo que de forma inconsciente. Na educação infantil, a psicomotricidade tem grande importância por buscar o desenvolvimento total do indivíduo por meio de exercícios que despertam seu desenvolvimento pleno em cada faixa etária.
De acordo com Le Boulch, pode-se dividir o desenvolvimento do esquema corporal em quatro etapas, a saber:

· Corpo submisso (0 a 2 meses): movimentos automáticos--reflexos como espirrar, chorar e o reflexo palmar. A criança não tem noção daquilo que faz e estímulos sensoriais são muito importantes para seu desenvolvimento.
· Corpo vivido (2 meses a 3 anos): a criança começa a descobrir seu próprio corpo e efetua movimentos rudimentares e mal controlados dos quais já tem consciência e tenta, através deles, atingir seus objetivos.
· Corpo descoberto (3 a 6 anos): inicia-se a estruturação do esquema corporal da criança e ela consegue interiorizar, localizar e controlar melhor seus movimentos.
· Corpo representado (6 a 12 anos): nessa fase o esquema corporal da criança desenvolve-se de tal maneira que ela consegue ter uma imagem mental de si e pode, através dessa imagem, representar ações no plano mental.

O professor de educação física pode e deve utilizar a psicomotricidade em suas aulas pois ela é muito importante para o desenvolvimento integral dos alunos e os ajuda também a atingir seus objetivos pessoais fora da escola. Por meio primeiramente de exercícios estimulantes e depois de atividades que criem situações-problema a serem resolvidas (sempre adequando-as à faixa etária em questão), pode-se fazer acontecer dentro das aulas de educação física a educação psicomotora das crianças de forma bastante eficiente.
Aliando a educação psicomotora ao conhecimento que nos vem pela teoria do desenvolvimento das inteligências de Piaget, é possível fazer um trabalho completo com as crianças, de acordo com sua faixa etária e auxiliar ao máximo seu desenvolvimento (sem interferir excessivamente) durante as aulas de Educação Física. Essa é a importância da Educação Física Escolar em relação à discussão feita acima.

Fontes:

A aplicação das teorias da psicomotricidade no ensino fundamental. http://www.efdeportes.com/efd128/a-aplicacao-das-teorias-da-psicomotricidade-no-ensino-fundamental.htm

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