terça-feira, 1 de abril de 2008

Natação


Aula prática
Atividade de ensino dos nados crawl e costas (para alunos que já estão familiarizados)
Pedagogia da natação (teoria)
- Ensino da adaptação ao meio líquido;
- - Ensino dos nados (ensino da Natação não é, necessariamente, o ensino dos nados).

Proposta de ensino (aula prática)O ensino de todos os nados começa pela pernada
- andar, andar rápido, andar pressionando a água com o dorso dos pés (pedir aos alunos para sentirem a água);
- saltar e dar um chute com uma perna (alternando as pernas a cada chute), usando bem o dorso dos pés;
- executar o mesmo exercício, porém chutando concomitantemente com os dois pés;
- andar de costas, dando um chute a cada passada;
* Antes de pegar pranchas, ensinar pernada.
- dar um impulso (do chão / da parede) e alongar o corpo (figura de lápis: as pontas dos dedos das mãos para frente) para ver até onde vai sem dar pernada;
- dar impulso em forma de “T”;
- dar impulso em forma de flecha (↑);
- dar impulso com os braços juntos ao corpo, paralelos.


Pedir aos alunos diversas formas de deslize e perguntá-los qual a forma mais eficiente (figura de lápis é inicial).


Quando o aluno mantém as pernas rígidas e bate na água, deve-se explicar que ninguém anda de pernas duras, por isso, também não nada de pernas duras; os joelhos não ficam entendidos o tempo todo e os pés mantêm-se abaixo da superfície. Deve-se mostrar como exemplo os melhores alunos.

Crawl – dar impulso e pernada (pressão com o dorso do pé), cabeça deitada, rosto fora d’água (porém, orelha mergulhada), braçada com um e outro braço (no embalo, a pernada pode ser feita com uma perna só). Começa-se com braço estendido e mão funda; termina-se com braço estendido e mão mais rasa. Entra-se com a mão, depois o antebraço.
- Crawl normal, sem respiração, porém (nado em apnéia); os dois braços devem subir à mesma altura.
* O crawl começa com apnéia, depois é que se ensina a atividade respiratória.
- Crawl em pé (braçada): a mão vai lá no fundo, vai com a palma além do quadril.

Costas – segurar na borda da piscina, colocar as plantas dos pés na parede; dar impulso e fazer a “posição de lápis” de costas; não olhar para cima e sim para o lugar de onde se está saindo. Para alunos com dificuldade na posição de lápis, colocar a prancha atrás; colocar as mãos para não bater a cabeça quando chegar à outra borda da piscina.

Propriedades físicas da água
Podem significar o motivo pelo qual uma pessoa se harmoniza com a água ou não.
Conceitos fundamentais
Hidrostática- ramo da Física que estuda o equilíbrio dos corpos na água (flutuação estática ou dinâmica – em velocidade uniforme, por exemplo).
Matéria- tudo que ocupa lugar no espaço.
Massa- quantidade determinada de matéria.
Peso- ação da gravidade sobre os corpos; grandeza física não-universal (se a água estiver à altura dos ombros, o peso diminui em 90%).
Densidade- razão entre massa e volume (ou altura) que pode favorecer ou não a flutuação (o ideal é massa bem distribuída e volume adequado).
Densidade relativa- leva-se em consideração a quantidade de H2O; precisa-se ter empuxo suficiente para se sustentar um corpo; a quantidade de água deve ser igual ou superior à do corpo, para que ele possa flutuar.
Centro de gravidade- ponto onde a ação da gravidade é mais intensa e é um ponto que estabelece desequilíbrio.
Centro de flutuação- diferenças anatômicas entre homem e mulher:
Mulher- maior adiposidade e menor densidade óssea alinham os dois centros (flutuação e gravidade) e permitem maior flutuabilidade em relação ao homem. Sua posição é horizontal e são melhores no nado sincronizado.
Homem- sua posição é vertical / inclinada e são melhores na hidroginástica e no pólo aquático.
Os centros de gravidade e flutuação estabelecem padrões de flutuação (crianças e idosos flutuam melhor)
Condutibilidade térmica- a água conduz o calor 25x mais rápido que o ar; 16° é uma temperatura muito baixa na água. O corpo agüenta, em média, apenas 30 min. A água retira o calor do corpo 4x mais rápido que o ar; como a temperatura interna não pode cair, pode-se morrer por hipotermia. Ocorre a queda do sistema imunológico, dormência nas extremidades, sonolência e até desmaio. Se sobreviver, o indivíduo pode adoecer após a aula de natação. Piscina aquecida a 30° e ambiente a 15°- não deve-se expor por mais de 10 min; deve-se secar-se e colocar roupa. Após atividades físicas, o sistema imunológico baixa, então devemos nos alimentar logo.
Pressão hidrostática- quando o corpo entra na água, a água volta para ocupar o espaço dela. Quem tem baixa capacidade respiratória (1000 cm³), se entrar em piscina rasa, pode até sentir falta de ar, pois a água imprensa os órgãos, mas aumenta o retorno venoso, o que é bom para problemas circulatórios. Na terra, um indivíduo não pode ficar na vertical por um tempo exagerado, pois pode ocorrer morte por asfixia. É uma pressão igual, por todos os lados; ocorre massageamento nos órgãos (interno); ativação da circulação sangüínea periférica e da função renal; pressão nos pulmões que obriga a respirar com mais força; efeito massageador, apesar do intenso esforço muscular (ex.: golfinho). Não se deve sair rápido da água, devido á mudança brusca de pressão.
Viscosidade- moléculas de H2O muito próximas (geralmente quando a água está muito fria) dificultam o nado. A água a 12° é totalmente difícil de nadar, difícil de transpô-la. A água morna é ideal. Por isso, a temperatura influi na viscosidade da água.
Refração- deformação do formato ou posição devido ao desvio da luminosidade (de um meio mais denso para um menos denso ou vice-versa). Por isso, na natação, o professor deve evitar corrigir o aluno fora d’água; para corrigir uma braçada, por exemplo, o professor deve pôr os óculos e descer à água.
Empuxo- força contrária à da gravidade (quanto mais água, mais empuxo). É por isso que um navio não pode passar em qualquer mar; o empuxo deve ser grande o suficiente. Por isso, piscinas maiores têm maior força de sustentação (empuxo).

Biomecânica aplicada à Natação
Forças propulsivas-
ação e reação: deve-se manter o corpo o mais paralelo possível em relação à superfície da água, a fim de diminuir a resistência e poder avançar. Quando a mão entra adiante e abaixo, ganha-se pressão abaixo da palma da mão. A manutenção da pressão sustenta o corpo do nadador, além de dar propulsão (sustentação propulsiva). Por isso, a natação também é um esporte de contra resistência.
Forças resistivas (resistência frontal ou de forma)- diminui mudando a forma do corpo e mantendo a posição horizontal; paralelo à superfície da água, realizando rolamentos, e não espalhando o corpo na água.
De superfície- a pele não oferece grande resistência ao avanço, por isso nadadores se depilam.
Força de ondas- puxa o nadador para trás; deve-se ter um bom trabalho de pernas para vencê-la, para minimizar a força de sucção das partes posteriores.
O papel das mãos e dedos- a posição dos dedos não interfere na condição propulsiva; porém, a mão deve acompanhar o ante-braço (o punho não pode desviar).

Princípio de aplicação uniforme da propulsão
Lei teórica do quadrado- se estiver nadando e resolver dobrar a velocidade, a resistência se elevará ao quadrado, e o desgaste físico será muito grande.
Lei do cubo da velocidade- lei de natureza fisiológica; quando se eleva a velocidade, o gasto energético se eleva ao cubo.
Comprimento médio de braçada- se um nadador nada 25 ciclos completos de braçadas em 50m, o comprimento médio de cada braçada foi 2m (distância / braçadas).
Freqüências média de braçadas- é o número de braçadas que se dá durante um determinado tempo. Se alguém deu 25 braçadas durante 25 segundos, sua freqüência é de uma braçada por segundo.
Velocidade média- comprimento x freqüência (m/s).

Aspectos básicos da teoria de salvamento
I)função respiratória- troca gasosa (hematose);
II)ventilação pulmonar- entrada e saída de ar (inspiração e expiração);
III)afogamento- tipo de asfixia por aspiração de um líquido d qualquer natureza. O líquido vai em direção aos pulmões numa condição anormal ou patológica.
Asfixia- baixo nível de oxigênio e excesso de gás carbônico no organismo. Causas: imprudência, câimbra, estafa, acidente, pancada, queimadura, fratura, mergulho a grande profundidade (mergulhadores em apnéia), doenças etc. Fases: inibição ou bloqueio (tentativa desesperada de defesa), reflexo, reação e resolução (se a pessoa se salvou ou não).

Classificação dos afogados
Grau 1 (leve ou benigno)- a pessoa fica pálida, sente tremores, taquicardia,mal-estar, agitação
Grau 2 (moderado)- leve cianose (algumas partes roxeadas), taquipnéia (ventilação curta), tremores, náuseas, vômitos.
Grau 3 (grave)- cianose, secreção nasal e bucal, dispnéia (descontrole da ventilação), estado alterado da consciência, edema pulmonar (pulmão pesado), vômitos, descontrole nervoso, pode evoluir para o grau 4.
Os graus 2 e 3 são casos de notificação hospitalar.
Grau 4 (gravíssimo)- coma, morte aparente, ausência de pulsos radial, femoral, carotídeo), apnéia, midríase (dilatação das pupilas), não há reação.

A pessoa preparada para dar o Suporte Básico de Vida (SBV) e o atendimento deve saber reconhecer o grau de afogamento; uma parada cardiorrespisratória ou parada isolada de respiração (apnéia); fornecer atendimento imediato.

Reconhecimento da parada cardiorrespiratória:
a)reconhecer a total falta de resposta do paciente aos estímulos sonoros ou áudios;
b)reconhecer a ausência de respiração. Parada respiratória;
c)reconhecer a ausência de pulso arterial. Parada cardíaca.

Parada respiratóriaa)ausência de movimentos torácicos;
b)ausência de movimentos do ar da boca ou do nariz.
Parada cardíaca
a)ausência de batimento cardíaco.

Tratamento da parada cardiorrespiratória (grau 4): ventilação boca a boca, massagem cardíaca externa.
Procedimento da respiração boca a boca (16 a 20 respirações por minuto): limpeza da cavidade oral (varredura); extensão da cabeça; obstrução do nariz; soprar o ar. Aparelho substituto para evitar contágio de possíveis doenças: AMBU.
Procedimento da massagem cardíaca externa: observar a ausência do pulso arterial; mãos do socorrista colocadas uma sobre o dorso da outra e punhos em extensão palmar no terço médio-inferior do externo. Projetar o próprio peso fazendo pressão sobre o tórax da vítima. Depressão aproximadamente de 3 a 5 cm no adulto e 1 a 2 cm na criança. Dar intervalos para o retorno venoso acontecer.
Conjugação dos dois métodos: com um socorrista- 10 a 15 massagens para 2 ventilações pulmonares. Com dois socorristas- 5 compressões para cada respiração boca a boca.

Procedimento para cada grau de afogamento:Grau 1- repouso e aquecimento;
Grau 2- repouso, aquecimento e observação médica;
Grau 3- respiração boca a boca e encaminhamento médico;
Grau 4- manobras cardiorrespiratórias até que a vítima comece a respirar (ou morra). Paciente em estado de choque ainda necessitando de assistência médica, se sobreviver.

Pedagogia da natação

Concepção de ensino / aprendizagem (diferenças básicas)
Ensino - processo intencional de transmissão de conhecimentos, valores, saberes. Se for racionalmente organizado, necessita de uma instituição e, dentro dela, um professor. Visa à aprendizagem do aluno.
Aprendizagem - modificação comportamental que se dá ao aluno, quando ele compreende o processo de ensino.

Concepções que surgiram na nataçãoAcredita-se que, na pré-história, o homem, por algum motivo, desenvolveu habilidade na água. Há 9.000 a.C. havia desenhos em cavernas de pessoas nadando (na Caverna dos Nadadores, no Deserto da Líbia). Ver o filme “Paciente Inglês”.
Há 4.000 a.C., para os egípcios a Natação era muito necessária devido ao rio Nilo, que é imenso. Sabiam até ensinar a nadar. Escreviam através de desenhos; havia um “desenho pedagógico” de alguém nadando “crawl”. Se a biblioteca do Egito não tivesse sido destruída por um terremoto e incêndio, talvez a civilização atual estivesse 100 ou 150 anos mais instruída.
Platão: “O ser humano, para ser educado, deve saber ler e nadar”.
Os romanos, que sucederam os gregos, desenvolveram os sistemas mais elaborados de distribuição de água (aquedutos). Também criaram os fuzileiros navais. Faziam piscinas, termas romanas.
A Idade Média foi um período de acomodação cultural e, no fim, ocorreu o Renascimento, quando houve o resgate da cultura grego-romana e uma explosão de conhecimento em todas as áreas. Foi quando surgiram os primeiros trabalhos informando como alguém aprende a nadar.
No séc. XVIII, começou o interesse pelo ensino da Natação. “Nadar é uma coisa natural”; os defensores dessa corrente diziam que natação não tem ensino, aprende-se aos poucos (concepção global de aprendizagem). Apenas era necessário desenvolver equilíbrio, respiração e propulsão.


“Quanto mais educado for o homem, maior o predomínio da razão.”
Após a corrente global, veio a corrente analítica: análise, observação, divisão do ensino em partes para assim entender-se o todo. Na Revolução Industrial, todo trabalho começou a ficar analítico (especialização do trabalho) e a riqueza se expandiu pelo mundo.

Concepção moderna do ensino da Natação
Concepção analítica – nado “a seco”. Na realidade, é impossível reproduzir os movimentos feitos na água; havia máquinas para isso, e se vendiam muito. Depois de treinar muito, ia-se à piscina e ficava-se suspenso por cabos para fazer os movimentos na água. Aos poucos, fazia-se sem cintos. Mas geralmente afundavam. Então, entenderam que precisava-se conhecer os processos de flutuação (críticas ao modelo). Devido às críticas, surgiu a concepção moderna, com duas grandes correntes: uma baseada na psicomotricidade e outra na aprendizagem motora. Foi mantida a atitude ativa do aluno (para desenvolver equilíbrio – flutuação, respiração e propulsão na água) da concepção global, porém sabendo que isso não vem com a natureza. Em relação à analítica, manteve-se a importância da idéia de que deve haver aulas, professor, curso ou processo, porém os professores deveriam saber nadar e os cursos deveriam visar o aluno, e não a natação. A concepção moderna surge no séc. XX.
Baseada na psicomotricidade – a Educação muda: torna o aluno como o centro das atenções no processo de ensino. Primeiro entende o aluno e suas relações com o mundo (no caso, a água). O aluno aprende as formas de lidar com a água (desenvolvimento da motricidade aquática – esquema corporal, vivências, experiências psicomotoras adaptados à água).
Baseada na aprendizagem motora – é valorizada nos países de língua francesa e no Brasil. Não é uma proposta pedagógica; é uma forma de explicar anatomicamente, neuologicamente e fisiologicamente mecanismos de como são gerados os movimentos humanos. As crianças obedecem aos “padrões de movimento” e estão aptas a desenvolver esses padrões. Desenvolvem técnicas. É menos efetivo que a psicomotricidade. Porém, visam o mesmo objetivo. A aprendizagem motora não valoriza o elemento cultural. O primeiro, sim. A aprendizagem motora adapta ao meo líquido – equilíbrio, respiração, propulsão, porém não em um nado específico, e sim da forma que o aluno conseguir, para depois estar preparado para a aprendizagem dos nados olímpicos.
O ensino da Natação não é necessariamente o ensino dos nados; pode-se saber nadar sem saber os nados olímpicos; basta estar adaptado ao meio líquido. Os nados olímpicos não são nados naturais.


Formulação dos objetivos de ensino

- Uma frase (enunciado) indicativa daquilo que o professor espera que o aluno possa demonstrar após um determinado período de ensino.
- Levar em consideração domínios psicomotores (se expressam a partir de demonstrações práticas), cognitivos (demonstrações de conhecimento que o aluno faz verbalmente) e afetivos (a demonstração pode ser favorável ou não às aulas).
- O objetivo deve ter desempenho (do aluno), condição e critério (ao aluno) e sempre deve começar com um verbo no infinitivo que seja bem claro (nadar, correr, descrever, executar etc.).
Exemplos:
a) nadar 25m costas na largura de uma piscina olímpica sem esperar o término de uma braçada para então iniciar a seguinte (critério);
b) nadar 8m de cachorrinho no lado fundo de uma piscina executando a respiração frontal (psicomotor predominante);
c) nadar 50m livre em uma piscina olímpica no tempo máximo de 50s (serve como avaliador no processo de ensino);
d) citar oralmente os nados oficiais que utilizam a respiração frontal (predominantemente cognitivo).
Apesar de um predominar, cognitivo, psicomotor, e afetivo estão sempre juntos. Mas o afetivo é o mais importante de todos.

Plano de aula

Tem partes bem definidas:
- cabeçalho (escola, data, disciplina, professor, turma, tema, duração etc.);
- relação dos objetivos imediatos (o que o aluno deve atingir dentro da aula);
- quadro com a exposição do tempo, conteúdo (com parte inicial de 6 a 7min aproximadamente e pode ser uma revisão; parte principal como tema: a matéria – 25min; e parte final com volta à calma ou atividade recreativa), material e atividades docentes e dicentes;
- bibliografia básica;
- observações (lançamento de coisas discrepantes que possam ocorrer durante a aula).

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