terça-feira, 1 de abril de 2008

Capoeira


Anotações especiais
- Primeira cantiga da Capoeira: reza/ oração/ ladainha/ lamento.
- Treinamento: ginga (em progresso; em fuga; no mesmo local) e defesa (cocorinha e queda de quatro); esquiva de tronco e resistência. Golpes: martelo (do alto) e chapa de chão. Negativa de angola, com rolê, martelo de chão, com coice, bênção.

Capoeira - instrumento de resistência social e cultural. Luta brasileira criada por africanos no Brasil.
História da Capoeira
Chegada dos tumbeiros (navios negreiros): séc. XVI – principais nações africanas – perda da identidade.
Sofreram processo de aculturação: séc. XVII e XVIII – tipos de resistência – capoeira – corpo negro – Quilombos (“socialismo”, mas tinha regras rígidas e organização, objetivando a liberdade). O mais importante, Palmares, era um conjunto de quilombos, um centro político.
Capoeira primitiva/ angola/ regional
Primitiva: autodefesa (contra perseguições); angola: imitação de dança, para ser aceita pelos senhores de engenho; regional: luta voltada para o estilo e a estética.
Fases da capoeira
- Marginalização; séc. XVIII e XIX (o código penal proibia “fazer das ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecido pela denominação de capoeiragem”).
- Aceitação como folclore: séc. XX, por volta de 1930 – luta regional baiana (a capoeira regional criada pelo “Bimba” e, autorizada pelo Getúlio Vargas, o ensino dessa arte desde que a pessoa tivesse plena idoneidade). A partir daí a capoeira sofreu elitização.
- Luta desportiva: séc. XX, por volta de 1970 - maior aceitação em clubes e academias (em 1979 entra na UFRJ como disciplina eletiva e, em 1992, como disciplina obrigatória em Educação Física), oficializando-se pela Confederação Brasileira de Pugilismo – CBP.
- Massificação: séc. XX.
- Perpetuação do sentimento de raiz e tradição.
- Proposta para compreensão dos valores patrióticos e culturais.

Tipos de treino: sério/lúdico; competitivo/cooperativo.
Ridendo castigat moris (latim): sorrindo é que se corrigem os defeitos.
Estilos da Capoeira:
Primitiva (Capoeira de Zumbi); angola (mestre Pastinha); regional (de Bimba), mais rápida, golpes altos, mais estética; estilizada (mestre Sena), “militarista”, mistura de angola com regional; Capoeira de sinhô (Agenor Sampaio: mestre sinhozinho – único que venceu Bimba), mais ou menos primitiva, com angola, intenção de atingir o outro; estilo Barravento (Mintirinha), mistura de regional com angola e primitiva, com saltos para atingir.
Rituais e tradições
Rituais de roda de Capoeira
_ Início da roda: primeiro berimbau, segundo pandeiro, terceiro atabaque (sempre por último). Berimbau viola ou violinha (pequeno, agudo), gunga ou viola (médio) e berraboi (grande, grave).
_Saudação ao berimbau, cumprimento ao companheiro, pedido de proteção.
_Início do jogo: com ladainha (toque de angola). Entram dois e saem dois. Não tem compra da briga do outro nesse toque.
_Término do jogo: por ordem do mestre, sugestão da música, acidente ou desistência de um ou de ambos os companheiros.
_Compra do jogo: espera-se o berimbau mudar do toque de angola para o toque de São Bento pequeno (é mais rápido, e o jogo é com pouca ginga e muito golpe). Estende-se o braço ou a perna entre os dois jogadores, de costas para quem se quer que saia (tendo, anteriormente, saudado o berimbau e se benzido). Pode haver compra dupla.
_Volta ao mundo: anda-se em torno da roda (no interior) e pode virar de repente para pegar ou testar a esperteza do outro que vem atrás o seguindo. Ocorre quando se recebe um golpe não-intencional, ou para descansar. Pede-se volta ao mundo batendo palmas atrás das costas.
_Chamada de angola (semelhante à volta ao mundo: pára-se e faz-se uma dramatização – pedir proteção, desmarcar território (zona de perigo)).
_Término da roda: jogo bem rápido, com toque de São Bento grande. Cantigas de despedidas com toques corridos.
_Batizado ou batismo (deu-se a partir de Bimba): se ganha um apelido e a primeira graduação (primeira corda/ cordel/ cordão), depois de, no mínimo, seis meses. Se não for a primeira vez, chama-se troca de cordel/ corda/ cordão.
Tipos de competição de capoeira
_Solo (demonstrativo): apresentação individual perante o júri;
_individual (combate): um contra o outro, luta efetiva;
_duplas (demonstrativo): apresentação de uma dupla de mesma academia;
_conjunto (demonstrativo): exibição de um grupo de capoeira.

Graduações de capoeira (Os malandros – lisboetas – “escória” de Portugal vinda para habitar o Brasil na época do descobrimento, usavam lenços de seda no pescoço (a seda cega o fio da navalha) e tamancos nas mãos, também para se defenderem das navalhadas; isso originou os fios de seda: rabo-de-rato – nove fios em trança, com nós nas pontas).
Cordéis em ordem de evidência na bandeira do Brasil:verde – aluno
verde com amarelo – aluno
amarelo – aluno
amarelo com azul – aluno
azul – aluno formado ou instrutor
verde, amarelo e azul – contra-mestre (uma categoria abaixo do mestre); somente a federação local pode graduar, com prova teórica; apresentação de uma aula, avaliada por um professor de Educação Física; conhecimento de primeiros socorros; jogar com três mestres de capoeira; toques e cânticos etc. Média 7.
No mínimo dois anos depois (mestrado):
Branco (2/3) com verde (1/3) – 1° grau de mestre
Branco com amarelo – 2° grau de mestre
Branco com azul – 3° grau de mestre
Branco – 4° grau de mestre
Os dois últimos outorgados, por meio de currículo, pela federação.

Confederação Brasileira de Capoeira (CBC) – Federação de Capoeira do estado do Rio de janeiro (FCERJ)
Estágios:
I)sem corda: iniciante
II)verde: aluno batizado
III)amarelo: iniciante
IV)azul: iniciante
V)verde com amarelo: aspirante
VI)verde com azul: aspirante
VII)amarelo com azul: aspirante
VIII)verde, amarelo e azul: aluno formado
IX)branco com verde: monitor
X)branco com amarelo: professor
XI)branco com azul: contra-mestre
XII)branco: mestre – Conselho de Mestres (CM) – 10 em 10 anos:
Branco com bronze
Branco com prata
Branco com ouro
(10 cm na ponta do cordel)
Ouro (toda dourada) – criada apenas como homenagem póstuma ao mestre Bimba (único cordel ouro).

Seqü
ências

I)de ataque: passa pé – ginga – passa pé ao contrário com armada – esquiva d tronco ao contrário – aú ao contrário
I)de defesa: resistência para um lado – resistência para o outro – bênção – cabeçada

II)de ataque: martelo com uma perna, martelo com a outra perna; cair em negativa de fuga; fazer transferência de negativa, levantar dando cabeçada
II)de defesa: esquiva para um lado, esquiva para o outro; armada com defesa com a mão para trás; aú para o outro lado

III)de ataque: jogo de capoeira na roda, bate-se palmas para trás para pedir volta ao mundo. De repente, vira-se para trás (pelo lado direito), dá uma cabeçada, cai m negativa de fuga, levanta e dá outra cabeçada
III)de defesa: o jogo continua. Quando o outro pedir a volta ao mundo e fizer a seqüência, dá-se a joelhada (na cabeça) e aú para dentro.


Toques de berimbau:
-toque de angola- 2 arranhados / 1 solto / 1 preso (tin tin ton ten)
-toque de São bento pequeno- 2 arranhados / 1 preso / 1 solto (tin tin ten ton)
-toque de São bento grande- 2 arranhados / 1 preso / 2 soltos (tin tin tem ton ton)
-iúna- toque para jogo de mestres: não pode machucar nem tocar, somente chegar bem perto com os golpes
-silêncio- toque para funeral: enterro de um mestre
-cavalaria- toque de aviso, para que os capoeiristas fugissem no momento em que a polícia estivesse se aproximando a cavalo (época em que a capoeira era proibida).

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