sexta-feira, 1 de julho de 2011

Disciplina na sala de aula e democratização do ensino

É principalmente na escola que o aluno deve conquistar conhecimentos e habilidades para tornar-se um cidadão. Para isso, professor e escola devem participar juntos desse processo, garantindo ao educando a formação de sua personalidade e de seus valores políticos, éticos e morais.

Valorização da democratização do ensino

Comenius foi um educador que escreveu uma obra chamada Didacta Magna (1631), preocupando-se com a democratização do ensino e do conhecimento e formulando princípios e regras para que essa democracia realmente acontecesse. Assim, foi construída a teoria da didática, mostrando a relação ensino-aprendizagem que tanto interfere na formação do cidadão.
Jan Amos Komenský (em latim, Comenius; em português, Comênio) foi um professor, cientista e escritor checo, considerado o fundador da Didáctica Moderna.
Propôs um sistema articulado de ensino, reconhecendo o igual direito de todos os homens ao saber. O maior educador e pedagogo do século XVII produziu obra fecunda e sistemática, cujo principal livro é a DIDÁTICA MAGNA. São suas propostas:
· A educação realista e permanente;
· Método pedagógico rápido, económico e sem fadiga;
· Ensinamento a partir de experiências quotidianas;
· Conhecimento de todas as ciências e de todas as artes;
· ensino unificado.
Citaremos apenas duas tendências pedagógicas dentre as várias existentes

A tendência pedagógica tradicional, que faz do professor o centro de tudo, em cima de seu tablado, e os alunos apenas absorvem e decoram as informações impostas ainda é utilizada.Autoridade do professor que exige atitude receptiva do aluno
Porém, a didática ativa (escola nova) objetiva construir a democratização na sala de aula, onde existe interação professor-aluno e aluno-aluno, sem que com isso ocorra a indisciplina; muito pelo contrário: alunos enquadrados num processo democrático provavelmente tendem a comportamentos mais disciplinados. O aluno se torna ativo, participativo, questionador e, assim, aprende mais, pois o professor está sempre atento aos seus aspectos comportamentais.
Educação centralizada no aluno e o professor é quem garantirá um relacionamento de respeito

O professor de Educação Física

É papel do professor de Educação Física valorizar a maior oportunidade que lhe é oferecida em relação a professores de outras disciplinas no que se refere à facilidade de interação com os alunos, tomando conhecimento das peculiaridades da turma, assim como do aluno em particular. Isso faz com que o professor possa trabalhar melhor a formação do aluno, seja intelectual, social, física ou psicologicamente.
Tanto na aula prática como numa aula teórica, o professor de Educação Física pode observar com mais clareza as idéias, princípios, fatos, regras, métodos de compreensão, hábitos de estudo, de trabalho, de lazer, de convivência social, convicções e atitudes de cada aluno e da turma como um todo. Com isso, há a possibilidade de interferir positivamente, promovendo a inclusão social, ensinando o respeito às diferentes etnias, raças, religiões e condições sócio-culturais, com o objetivo de promover a cidadania. Isso deve ser levado em consideração quando o método de ensino-aprendizagem for escolhido. Portanto, disciplina na sala de aula (ou na quadra, ginásio etc.) sempre terá relação com a democratização do ensino. *

O papel do esporte na escola

O esporte escolar é importante quando falamos de disciplina, pois exige a sociabilidade, o respeito às regras (e também a criá-las), saber aceitar derrotas (também é importante saber vencer), aceitar os outros alunos indiscriminadamente etc., formando assim um senso crítico imparcial e a formação de valores éticos e morais.
O esporte na escola também é importante quando há democracia, pois todos os alunos tem a oportunidade de se desenvolver pessoal e socialmente, independente da realidade a qual cada um está inserido.
Atitudes do professor que facilitam a disciplina
1. Nunca falar para a turma, enquanto não estejam todos em silêncio;
2. Dirigir-se aos alunos com linguagem e voz clara, com certa pausa e expressividade para que percebam o que se diz à primeira;
3. Nunca gritar. Um grito deve ser uma atitude rara que por vezes é necessária. Não esquecer que os gritos desprestigiam o professor. Ordens como: "Calados!" são inúteis;
4. Jamais esquecer esta regra de ouro: Se basta um olhar, não dizer uma palavra; se basta uma palavra, não pronunciar uma frase;
5. Esforçar-se por manter a presença de espírito, serenidade e segurança. Os alunos notam a mais leve insegurança ou excitação do professor. Se isso se prolonga, a aula está "perdida”;
6. Não deixar passar "nem uma" e atuar desde o principio. Nada fere mais o aluno e desprestigia um professor que as possíveis "injustiças". É o caso de deixar passar uma falta num aluno e, logo a seguir, castigar outro por uma falta semelhante;
7. Cuidar as atitudes corporais, os gestos, as expressões do rosto e vocais; tudo isso influi positiva ou negativamente nos alunos;
8. Procurar manter o domínio de toda a aula. Mesmo que se dirija apenas a uma parte da aula, deve ter a restante sob controle. É preciso evitar a todo o custo que um aluno pegue o professor desprevenido;
9. Não aceitar que os alunos se dirijam ao professor com modos ou expressões pouco apropriadas: abraços, palmadinhas nas costas, gracinhas, etc. Isto só serve para "queimar" o professor;
10. Jamais utilizar o sarcasmo ou a ironia malévola. Tem efeitos imediatos, mas consequências desastrosas a longo prazo;
11. Tornar-se acessível ao aluno, colocando-se ao seu nível, mas sem infantilidades nem paternalismos. Falar-lhes com afabilidade, afeto, por vezes com doçura; mantendo sempre uma discreta distância que eles aceitam e até desejam;
12. Se alguma vez acontecer uma situação de conflito (o que deve ser raro e excepcional) com um aluno ou com a turma, procurar o modo de sanar essa "ferida", através de alguma saída airosa, gesto ou atitude simpática. Eles possuem um sentido epidérmico da justiça, mas igualmente uma grande capacidade de desculpar e esquecer agravos;
13. Saber manter o equilíbrio entre a "dureza" e a amabilidade. A jovialidade e a alegria do professor deve-se manifestar, apesar de tudo, em todas as circunstâncias; os alunos têm de a notar. A maior parte das antipatias dos alunos têm a sua origem em rostos ou atitudes pouco acolhedoras;
14. A correção deve ser silenciosa (falar em voz baixa e só por necessidade), sossegada (sem perturbação, impaciência ou exaltação), de forma a provocar a introspecção do educando (que o aluno contenha os seus impulsos, caia em si e retome o caminho) e afetuosa ("se quer persuadir, conseguirá mais pelos sentimentos afetuosos que pelos discursos");
15. Evitar proferir ameaças que podem não se cumprir, pelo desprestígio magistral que isso implica;
16. Mandar o menos possível. O ideal é conseguir com o mínimo de ordens. Mandar o estritamente necessário e com a certeza de que vamos ser obedecidos.

Citação de Lubienska de Lenval, que descreve filosoficamente a existência da disciplina diante de um processo democrático de ensino-aprendizagem:
“... a escola terá um pouco de sanatório, de biblioteca e de claustro, o que quer dizer que estará mergulhada em silêncio. Um silêncio que não será interrompido pela voz do professor, nem por campainhas, nem por exercícios de piano... Um silêncio todo penetrado de atividade intensa, de vai-e-vem na ponta dos pés, de cochichos discretos e de alegria contida. Este silêncio supõe todo um conjunto de condições: mobília apropriada, motivos de atividade para estimular o trabalho da inteligência, e um professor onipresente, mas invisível.”

11 ATITUDES QUE FAVORECEM A RELAÇÃO DO PROFESSOR COM OS ALUNOS
1. Planificar e programar bem as aulas. Não confiar na improvisação;
2. Manter sempre os alunos ocupados porque nada favorece tanto a indisciplina como não ter nada que fazer;
3. Evitar centrar-se num aluno, pois os outros ficarão entregues a si mesmos;
4. Evitar os privilégios na aula. A escola deve ser um lugar de combate aos privilégios;
5. Não falar de assuntos estranhos à aula;
6. Estar a par dos problemas particulares dos alunos para poder ajudá-los quando necessário;
7. Ser coerente e não justificar as incoerências. Quando houver alguma incoerência o melhor é reconhecê-la e honestamente retificá-la;
8. Não se deve castigar sem explicar clara e explicitamente o motivo do castigo;
9. Os chefes de equipe ou grupo devem colaborar na disciplina da aula;
10. Há que ser pródigo em estímulos e reconhecimentos de tudo o que de bom faça o aluno, embora sem exageros ou formas que pareçam insinceras;
11. Evitar castigar todos aos alunos por culpa de um só, a não ser que existam implicações gerais.

Conclusão
Ao analisar a questão da disciplina na sala de aula e sua relação com a democratização do ensino, tem de ser observada a importância do docente em transmitir aos seus alunos a necessidade de participação nas aulas de maneira interativa, onde o professor e seus alunos utilizem os conceitos democráticos: todos possuem direito a expressar suas opiniões para o melhor desenvolvimento do processo de aprendizagem.
O posicionamento do profissional do magistério é estar sempre atento à questão disciplinar na sala de aula, sem com isso promover qualquer tipo de postura impositiva, utilizando para isso técnicas pedagógicas que estejam alinhadas com a legislação vigente e o conceito de democracia participativa, onde todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem entendem a participação coletiva como fundamental para o desenvolvimento intelectual e social da comunidade escolar. A liderança do mestre deve ser conquistada através do conhecimento e não apenas pela sua posição profissional, sempre incentivando as potencialidades individuais de cada aluno e também detectando possíveis dificuldades pessoais. Dessa forma, o docente terá maior facilidade de conduzir uma relação de ensino e aprendizagem democrática.

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